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14.01.2026 02:33 PM
Geopolítica não impulsiona o dólar e mantém EUR/USD em faixa estreita

O par EUR/USD segue sem conseguir definir uma direção clara. Na segunda-feira, os compradores impulsionaram o par até a borda da região de 1,17, alcançando 1,1699. Nesse nível, o ímpeto de alta perdeu força e os vendedores assumiram o controle, levando o euro/dólar até 1,1635, a mínima do dia.

No entanto, os vendedores não conseguiram sustentar o movimento de baixa nem ampliar os ganhos. Em seguida, o par entrou em fase de consolidação na região intermediária de 1,16, refletindo a indecisão predominante entre compradores e vendedores.

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O cenário fundamental para o EUR/USD não é apenas contraditório — é heterogêneo em sua estrutura. Diversas narrativas noticiosas se acumulam, gerando sinais concorrentes que avançam em paralelo, em vez de se reforçarem mutuamente.

Por exemplo, na segunda-feira, o par avançou após notícias de que o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, havia se tornado alvo de uma investigação criminal. O Escritório do Procurador dos EUA para o Distrito de Columbia abriu um inquérito sobre o depoimento de Powell ao Congresso, em junho do ano passado, relacionado a um projeto de renovação do edifício do Fed e a supostas declarações falsas sobre o custo e a finalidade dos recursos. Vários funcionários do Fed, incluindo Powell, receberam intimações do grand jury. Os membros do júri irão avaliar as provas e ouvir testemunhas antes de decidir se há fundamentos suficientes para apresentar acusações.

Em reação a essa notícia, o EUR/USD atingiu a máxima semanal de 1,1699. Os traders, no entanto, rapidamente deixaram essa história de lado, já que se trata de um processo que se estende no tempo. Um grand jury pode analisar evidências por semanas ou até meses antes de decidir por uma eventual denúncia. Assim, os participantes do mercado perderam interesse no chamado "caso Powell" quase de imediato. Ainda no mesmo dia, os vendedores retomaram a iniciativa, às vésperas da divulgação dos dados de inflação dos EUA.

A divulgação da inflação mostrou-se inconclusiva, pois não foi claramente nem bear nem bull para o EUR/USD. No índice geral, o CPI veio em linha com as previsões, mantendo-se em 2,7% em termos anuais em dezembro — a mesma leitura registrada em novembro. Os preços ao consumidor subjacentes (core) ficaram ligeiramente abaixo das expectativas, mas, na prática, também permaneceram estáveis, em 2,6% na base anual. A maioria dos analistas havia previsto uma alta para 2,7%.

A boa notícia para os touros do EUR/USD é que a inflação não está acelerando — nem no índice geral, nem no núcleo. A boa notícia para os vendedores é que ela tampouco está desacelerando. A estagnação de um indicador-chave decepcionou tanto touros quanto ursos, levando os traders a desviar rapidamente a atenção da geopolítica.

Essa mudança de foco também não foi simples. Ontem, o presidente Donald Trump publicou uma mensagem combativa, afirmando que a assistência dos EUA aos protestos no Irã "já estava em andamento". Ele declarou ainda que a Casa Branca — e ele pessoalmente — havia suspendido todas as negociações com Teerã.

Os mercados ficaram inquietos, e a procura pelo dólar como ativo de refúgio aumentou, levando o EUR/USD a registrar uma mínima intradiária em 1,1635. Surgiram também relatos de que Trump faria um pronunciamento importante, no qual poderia anunciar o início de ações militares contra o Irã.

Isso não aconteceu. No discurso televisionado, o presidente não apresentou novidades, limitando-se a repetir, em grande parte, pontos já conhecidos. Além disso, a NBC News informou que Israel e países árabes instaram os EUA a "adiar" ataques contra o Irã. Autoridades israelenses teriam solicitado à Casa Branca o cancelamento ou o adiamento de ações militares em larga escala, ao menos até que o governo iraniano estivesse ainda mais pressionado pelas manifestações.

Vale lembrar que fundamentos políticos, e especialmente geopolíticos, têm vida curta nos mercados e exigem um fluxo contínuo de notícias para sustentar seu impacto. Trump chamou atenção e inquietou os investidores, mas acabou não correspondendo às expectativas do mercado.

Como resultado, o EUR/USD retornou aos níveis anteriores e passou a negociar dentro de uma faixa estreita. De modo geral, se as ameaças de Trump — não apenas em relação ao Irã, mas também à Colômbia, Cuba e Groenlândia — não forem acompanhadas por ações concretas no curto prazo, o sentimento de aversão ao risco tende a diminuir, e o dólar deverá voltar a sofrer pressão.

Diante da incerteza predominante, é provável que o EUR/USD continue a operar de forma lateral, refletindo a indecisão entre compradores e vendedores. Nessas condições, é prudente permanecer fora do mercado, já que os traders ainda não definiram a direção do movimento de preços — as oscilações parecem caóticas e, em grande medida, imprevisíveis.

Irina Manzenko,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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