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23.01.2026 09:18 PM
A demanda por ouro e ações permanecerá, enquanto a demanda por criptomoedas e pelo dólar permanecerá fraca (há uma possibilidade de uma nova alta nos preços do ouro e uma queda no Bitcoin)

Apesar de um certo alívio das tensões geopolíticas após o discurso de Donald Trump no Fórum de Davos, como se costuma dizer, ainda restaram resíduos de incerteza. De fato, o presidente dos EUA afirmou que não pretende ocupar a Groenlândia, mas, ao mesmo tempo, deixou implícito que a ilha — território da Dinamarca — poderia acabar entrando em uma relação de dependência estratégica em relação aos Estados Unidos.

Esse cenário, naturalmente, continua a sustentar a demanda por ouro, não apenas como ativo de refúgio, mas cada vez mais como um ativo financeiro central em um possível novo arranjo do sistema global. Em um contexto de prolongamento da crise ucraniana e de questionamentos sobre a eficácia das atuais instituições multilaterais — incluindo a ONU —, cresce a percepção de que novas estruturas de governança global podem emergir. É por isso que o "metal amarelo" segue desfrutando de uma demanda tão forte e pode continuar se valorizando frente ao dólar, avançando em direção ao patamar de US$ 5.000 por onça e possivelmente acima dele.

Se o provável movimento dos preços do ouro parece relativamente claro, surge então a pergunta: quais são as perspectivas para o dólar americano? Sua importância global realmente pode diminuir nos próximos anos?

Essa não é uma questão trivial. Atualmente, a participação do dólar nas transações comerciais globais permanece elevada, apesar das tentativas da administração anterior de Joe Biden de utilizá-lo como instrumento de pressão financeira contra a Rússia no contexto do conflito ucraniano. Países do Sul Global e do Leste começaram a realizar parte de seu comércio exterior em moedas nacionais, o que enfraquece gradualmente a hegemonia do dólar — e, por extensão, a influência dos Estados Unidos. Ainda assim, é prematuro afirmar que o dólar perderá seu papel central. Muito dependerá das decisões e da estratégia da atual administração em Washington.

Diante disso, o que se pode esperar dos mercados em um horizonte próximo e previsível?

Minha avaliação é que os preços do ouro, após eventuais correções técnicas, retomarão a trajetória de alta, já que o fator geopolítico deve continuar pressionando os mercados por um período prolongado. Nesse contexto, no curto prazo, o ouro à vista pode alcançar a região de US$ 5.000 e tentar se consolidar acima desse nível.

O dólar, por sua vez, apesar das ameaças da União Europeia de reduzir a exposição a títulos do Tesouro dos EUA, tende a encontrar suporte no mercado Forex na fraqueza relativa das moedas concorrentes e na atratividade dos ativos denominados em dólar — especialmente as ações americanas — em um cenário de perda de interesse por ações europeias e de outros mercados globais.

De modo geral, continuo a esperar uma recuperação da demanda por ações dos EUA e por ouro. Já o dólar e as criptomoedas devem permanecer sob pressão no curto e médio prazo.

Previsões diárias:

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OURO: O preço do ouro à vista está passando por uma leve correção de baixa, mantendo-se acima do nível de suporte de 4915,70. Se não cair abaixo desse nível, pode haver uma retomada do crescimento em direção ao nível 5000. O nível para compra de ouro pode ser considerado em 4933,50.

Bitcoin: A criptomoeda caiu abaixo do nível de 89568,00 e pode continuar a cair em meio à queda na demanda por criptomoedas devido a perspectivas incertas, permanecendo sob pressão das tensões geopolíticas. Após uma recuperação local, o Bitcoin pode retomar sua queda e cair para 86255,00. O nível para a venda pode ser considerado em 89.250,00.

Pati Gani,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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