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O par EUR/USD foi negociado na terça-feira da mesma forma que nas últimas semanas: com baixa volatilidade e uma ligeira inclinação de alta. Nas circunstâncias atuais, parece desnecessário analisar quais níveis foram rompidos e quais permaneceram intactos, já que 90% do movimento atual é meramente lateral. Consequentemente, podemos chegar a uma conclusão importante: o mercado está ignorando não apenas os fatores macroeconômicos, mas também os acontecimentos geopolíticos. Nas últimas duas semanas, houve uma enorme quantidade de notícias vindas do Oriente Médio e da Casa Branca, mas qual foi o impacto delas? O dólar americano está subindo? Não. O euro está subindo? Também não. O par permanece estagnado dentro de uma faixa estreita, e a reação do mercado limita-se a oscilações dentro desse intervalo.
Na prática, não há atualmente nada no cenário geopolítico que justifique uma reação mais expressiva dos participantes do mercado. Washington e Teerã continuam trocando ameaças, alternando entre a possibilidade de novos ataques, a suspensão das negociações, a assinatura de um acordo e, logo em seguida, novas ações militares. O mercado simplesmente se cansou dessas mensagens contraditórias. Na segunda-feira, por exemplo, a imprensa estatal iraniana informou que Teerã havia decidido suspender as negociações em resposta aos novos ataques israelenses no Líbano. Diante disso, o mercado preparou-se para comprar dólares. No entanto, poucas horas depois, surgiram informações de que Trump havia conversado com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o convencido a não enviar tropas nem lançar ataques com mísseis contra o Líbano. O que isso demonstra? Que Washington não deseja uma escalada do conflito, mas pretende extrair o máximo benefício possível das negociações.
Em essência, Trump voltou a aplicar o chamado princípio TACO (Trump Always Chickens Out, ou "Trump sempre recua"). Após duas semanas de ameaças constantes e sucessivas violações do cessar-fogo, Trump concluiu que uma retirada do Irã das negociações não era exatamente o resultado que desejava. Digo "desejava" porque o conflito no Oriente Médio certamente não atende aos interesses dos Estados Unidos como um todo. Trump está a perseguir os seus próprios objetivos geopolíticos, e não necessariamente os interesses do país. Como uma retomada do conflito entre Israel e o Líbano poderia efetivamente levar o Irã a abandonar as negociações, Trump concluiu, corretamente, que era necessário intervir antes que fosse tarde demais.
Enquanto isso, o Estreito de Ormuz permanece fechado. Ontem, o Irã prometeu reforçar o bloqueio, alegando que as negociações voltaram a atingir um impasse, ao mesmo tempo em que ameaçou bloquear também o Estreito de Bab-el-Mandeb com o apoio do Iêmen, seu aliado. Isso reforçou ainda mais o chamado princípio NACHO (Not A Chance Hormuz Opens, ou "Não há a menor chance de Ormuz reabrir"). Como já mencionado, o mercado reagiu muito pouco a todos esses acontecimentos, para além de algumas "convulsões" intradiárias. Os traders parecem acreditar, com razão, que nada mudou de forma significativa nas últimas semanas: Ormuz continua fechado, as negociações avançam e retrocedem de forma intermitente, nenhum acordo foi firmado, a paz permanece distante, mas o cessar-fogo continua em vigor. Sem mudanças geopolíticas relevantes ou acontecimentos verdadeiramente disruptivos, dificilmente veremos uma valorização expressiva do euro ou do dólar.
A volatilidade média do par de moedas EUR/USD nos últimos cinco dias de negociação, até 3 de junho, é de 52 pips e é classificada como "médio-baixa". Esperamos que o par seja negociado entre 1,1587 e 1,1691 na quarta-feira. O canal superior da regressão linear virou para cima, indicando uma mudança de tendência para alta. Na verdade, a tendência de alta de 2025 poderia ter sido retomada já em março. O indicador CCI entrou na zona de sobrecompra e formou duas divergências de baixa, sinalizando o início de uma correção de baixa que ainda não está concluída.
O par EUR/USD continua sua tendência de baixa, o que se presume ser uma correção dentro de uma tendência de alta mais ampla. O contexto fundamental global para o dólar permanece extremamente negativo, e apenas fatores geopolíticos costumam oferecer suporte à moeda. Se o preço permanecer abaixo da média móvel, posições vendidas podem ser consideradas com alvos em 1,1597 e 1,1587. Acima da linha da média móvel, posições compradas são viáveis com alvos em 1,1691 e 1,1719. O mercado continua a se distanciar dos fatores geopolíticos, mas nas últimas semanas o dólar tem estado em alta, à medida que as esperanças de paz no Oriente Médio enfraqueceram.