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21.07.2026 05:51 PM
EUR/USD continua a consolidar próximo do nível de 1,14, apresentando uma dinâmica lateral

O EUR/USD continua em consolidação na região de 1,14, mantendo uma dinâmica lateral. O pico de volatilidade observado na segunda-feira perdeu força gradualmente. O par caiu quase 50 pips, mas não conseguiu fechar abaixo do suporte em 1,1410, que corresponde à linha central das Bandas de Bollinger no gráfico diário (D1).

Essa dinâmica relativamente contida do EUR/USD contrasta claramente com a magnitude dos acontecimentos geopolíticos no Oriente Médio. Apesar das trocas contínuas de ataques entre os EUA e o Irã e das ameaças dos houthis de bloquear o Estreito de Bab el-Mandeb, o mercado não demonstra uma demanda expressiva pelo dólar como ativo de proteção. Por que isso acontece?

Na minha visão, essa ação de preço contida é explicada pela combinação de vários fatores fundamentais.

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Um importante indicador nesse contexto é o mercado de petróleo, que também resiste ao pânico e tem demonstrado uma reação bastante contida aos acontecimentos.

Ontem, o Brent atingiu a máxima local das últimas cinco semanas, chegando a US$ 91,35 por barril, em resposta à repercussão da declaração dos Houthis. No entanto, quase imediatamente o preço reverteu para baixo, encerrando o dia em US$ 88,75.

Hoje, o Brent também apresenta um comportamento moderado, apesar da ausência de novos acontecimentos relevantes que possam influenciar significativamente o mercado.

Na minha avaliação, o mercado de petróleo já não precifica um bloqueio prolongado das principais rotas marítimas, especialmente porque as ameaças dos Houthis de fechar o Estreito de Bab el-Mandeb não são novidade. Declarações semelhantes já foram feitas em anos anteriores, independentemente do conflito entre os Estados Unidos e o Irã. Ataques pontuais elevaram os prêmios dos seguros marítimos e aumentaram os prazos logísticos, mas não provocaram uma interrupção total do comércio marítimo global pelo Mar Vermelho. Em outras palavras, os participantes do mercado não estão precificando, neste momento, um cenário de crise energética em grande escala. Como comparação, na primavera, o petróleo Brent disparou para US$ 110–120 por barril durante a fase mais intensa do conflito no Oriente Médio. Agora, porém, o petróleo tem dificuldade para se manter próximo de US$ 90, apesar de ainda não haver sinais claros de desescalada.

Em segundo lugar, a dinâmica do dólar americano atualmente é influenciada menos pela geopolítica e mais pelas expectativas em relação aos próximos passos do Federal Reserve, especialmente após a divulgação dos dados mais recentes do CPI e do PPI dos Estados Unidos. Enquanto, na primavera, o status de ativo de proteção favorecia quase automaticamente o dólar durante os momentos de maior tensão, hoje sua trajetória depende principalmente das expectativas para a política monetária. Segundo a ferramenta CME FedWatch, a probabilidade de um aumento dos juros na reunião de julho caiu para 12%, enquanto antes da divulgação dos dados de inflação se aproximava de 40%.

Uma terceira razão para a reação contida do EUR/USD é que, até o momento, os participantes do mercado consideram a atual escalada como um fenômeno temporário. Esse talvez seja o principal fator psicológico. Os investidores avaliam menos a troca de ataques em si e mais a probabilidade dos próximos desdobramentos. Enquanto o cenário-base continuar sendo um retorno aos canais diplomáticos, apostas de longo prazo na valorização do dólar continuarão parecendo arriscadas. Nesse contexto, o dólar é sustentado principalmente por movimentos pontuais de aversão ao risco e pela busca por ativos de proteção, e não por uma mudança duradoura nas expectativas do mercado.

É por isso que, nas últimas semanas, os mercados têm apresentado um padrão semelhante de reação aos choques geopolíticos: inicialmente, notícias preocupantes impulsionam o dólar, mas esse movimento rapidamente perde força, e os investidores voltam a concentrar sua atenção na agenda habitual — indicadores macroeconômicos, declarações de dirigentes do Fed e do Banco Central Europeu (BCE), perspectivas para as taxas de juros, entre outros fatores.

O comportamento observado ontem ilustra bem esse cenário. Em reação a uma nova escalada no Oriente Médio, o EUR/USD registrou uma queda brusca de cerca de 50 pips, refletindo o fortalecimento generalizado do dólar. No entanto, os vendedores não conseguiram prolongar o movimento de baixa nem fechar abaixo da faixa de negociação já estabelecida. O par permaneceu dentro da região de 1,14, onde vem sendo negociado pela quarta semana consecutiva.

Diante disso, continuo considerando sensata a estratégia de buscar oportunidades de compra nas correções do EUR/USD. Um argumento adicional a favor desse cenário são os novos relatos da imprensa internacional sobre uma possível trégua entre Washington e Teerã. Segundo a Axios, Donald Trump está avaliando duas alternativas: um cessar-fogo de dez dias ou a continuidade do conflito. De acordo com fontes de alto escalão ouvidas pelo veículo, Paquistão, Catar, Egito e outros mediadores propuseram aos Estados Unidos e ao Irã uma suspensão das hostilidades por dez dias. Durante esse período, as partes restabeleceriam a navegação pelo Estreito de Ormuz e tentariam chegar a um acordo sobre regras permanentes para a passagem de embarcações. Fontes da Axios afirmam que a Casa Branca está "analisando cuidadosamente" a proposta. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos enviaram dezenas de caças e aeronaves de reabastecimento para a região, preparando-se para uma possível operação militar de grande escala, em conjunto com Israel, contra o Irã.

Os especialistas divergem quanto à viabilidade dessa iniciativa. Alguns analistas acreditam que Washington rejeitará a proposta e optará por continuar aumentando a pressão militar sobre Teerã. Outros consideram que Trump manterá uma postura firme por alguns dias, em resposta às baixas sofridas pelos Estados Unidos, mas posteriormente aceitará analisar a proposta de cessar-fogo apresentada pelos mediadores.

Assim, o comportamento futuro do EUR/USD dependerá, em grande medida, de qual desses cenários prevalecer. Se a situação permanecer limitada a uma escalada controlada, é provável que o par continue consolidado dentro da faixa de 1,1410 a 1,1470. No entanto, se Washington e Teerã realmente avançarem para uma trégua temporária — ou iniciarem negociações visando um cessar-fogo mais duradouro — os compradores poderão não apenas testar o limite superior dessa faixa (1,1470), como também romper esse nível e fechar acima dele, impulsionando o par em direção à região de 1,15.

Irina Manzenko,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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