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15.10.2026 04:12 PM
O ouro recupera quase todas as perdas, mas apostas em altas dos juros pelo Fed continuam pressionando o metal

Hoje, o ouro subiu em meio à queda dos rendimentos dos Treasuries dos EUA, enquanto os investidores buscaram segurança nos títulos do governo após dados de inflação mais fortes do que o esperado reforçarem as apostas em novas altas dos juros pelo Federal Reserve (Fed) e desencadearem uma onda de vendas no mercado acionário. O metal avançou até 1,1% e foi negociado perto de US$ 4.142 por onça, recuperando quase todas as perdas da sessão anterior. A prata subiu cerca de 1%, para US$ 56,15, após ter sido negociada a US$ 59,20 no dia anterior. A platina e o paládio também avançaram.

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Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA dispararam na quarta-feira, após o CPI geral americano subir 0,6% em relação ao mês anterior — a maior alta mensal desde abril. Na quinta-feira, os rendimentos recuaram quase na mesma proporção, pois a onda de vendas de ações de tecnologia levou os investidores a buscar ativos de refúgio. Essa forte oscilação dos rendimentos acabou anulando a alta anterior. O ouro se beneficia da queda dos rendimentos: como não paga juros, o metal costuma se valorizar quando eles recuam. Por outro lado, os investidores que apostaram em novas altas dos rendimentos dos títulos saíram perdendo.

No entanto, o metal continua enfrentando ventos contrários. Os traders aumentaram as apostas de que uma inflação acima do esperado obrigará o Fed a elevar os juros novamente, possivelmente já no fim deste mês. Isso é desfavorável para o ouro, pois o aumento dos custos de financiamento torna o metal menos atraente. O ouro já perdeu mais de 20% desde o início do conflito entre os EUA e o Irã, no fim de fevereiro, que interrompeu o fornecimento de energia, alimentou a inflação global e levou os bancos centrais a apertar a política monetária.

A alta do CPI geral na quarta-feira foi impulsionada principalmente pelo aumento dos custos dos combustíveis, mas as pressões inflacionárias subjacentes também se intensificaram. Austan Goolsbee, presidente do Fed de Chicago, classificou os dados como "decepcionantes" e alertou que os gastos com infraestrutura relacionada à IA também podem provocar um superaquecimento da economia. Agora, todas as atenções se voltam para Kevin Warsh, presidente do Fed. Os investidores buscarão indicações de última hora sobre a política monetária antes de o banco central entrar em seu período de silêncio, que antecede a reunião de 27 e 28 de outubro.

Antes do pronunciamento de Warsh, é provável que o ouro seja negociado em torno de US$ 4.145. Uma alta acima de US$ 4.200 só seria possível se o presidente do Fed adotasse um tom mais dovish e o petróleo continuasse caindo. Se Warsh sinalizar uma postura mais hawkish, os rendimentos voltarão a subir e as apostas em novas altas dos juros pelo Fed ganharão força, pressionando novamente o ouro. Diante da inflação persistente e dos preços elevados da energia, espero que a demanda por ativos de refúgio, na melhor das hipóteses, desacelere a queda do ouro, em vez de revertê-la.

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Análise técnica — ouro

Os compradores precisam superar a resistência mais próxima, em US$ 4.192, para buscar o nível de US$ 4.249, acima do qual um rompimento será difícil. O alvo de alta mais distante está na região de US$ 4.304. No cenário de baixa, os vendedores tentarão romper o suporte em US$ 4.124. Se forem bem-sucedidos, o rompimento para baixo da faixa de negociação poderá prejudicar significativamente as posições compradas e levar o ouro a US$ 4.062, com possibilidade de queda adicional até US$ 4.047.

Miroslaw Bawulski,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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