Europa sob impacto do One Big Beautiful Bill Act?
Especialistas ainda tentam decifrar se a Europa será diretamente afetada pela One Big Beautiful Bill Act (OBBBA). Para os Estados Unidos, o projeto representa um vasto campo de oportunidades.
Segundo analistas, a OBBBA deve remodelar os fluxos de caixa corporativos por meio de generosos incentivos fiscais. Já o impacto sobre a Europa é mais complexo, observam estrategistas cambiais do Morgan Stanley.
A proposta traz duas medidas centrais: dedução imediata e retroativa de custos de P&D nos EUA e depreciação acelerada de 100% para despesas de capital qualificadas. Para empresas americanas com operações significativas em pesquisa e desenvolvimento ou altos investimentos de capital, isso se traduz em um aumento substancial do fluxo de caixa livre.
Nas companhias europeias, o efeito é menos direto, mas não desprezível, já que aproximadamente 23% das receitas do MSCI Europe vêm dos EUA.
Um estudo do Morgan Stanley mostra que apenas 2,2% das corporações europeias citaram a OBBBA ou incentivos fiscais em seus relatórios do 2º trimestre de 2025, contra mais de 11% das empresas americanas, que já reconheceram o impacto do projeto. Para os analistas, isso sugere que muitas equipes de gestão na Europa ainda não compreenderam plenamente as potenciais implicações da nova lei.
O grau de exposição das empresas europeias dependerá de fatores como: escala dos investimentos em P&D e capital nos EUA, localização das operações e funcionários, além das complexidades dos acordos fiscais transfronteiriços. Entre os setores, o de saúde e o de tecnologia despontam como os mais propensos a se beneficiar.
Empresas farmacêuticas como Argenx, Genmab, Indivior, Roche e Novo Nordisk, além de companhias de software como Nemetschek e Sage, podem aproveitar a dedução imediata de P&D. Já negócios mais intensivos em capital, como Deutsche Telekom, Ashtead Group, CRH e Air Liquide, tendem a ganhar com as disposições de depreciação acelerada.
Algumas empresas já reconhecem os benefícios. A Deutsche Telekom, por exemplo, estima que a T-Mobile US economize entre US$ 1 e 1,5 bilhão em impostos no médio prazo, elevando o fluxo de caixa livre em até 5%.
Ainda assim, como em toda política fiscal, há ressalvas. Regras transfronteiriças, como o imposto anti-abuso dos EUA, podem limitar os ganhos. Além disso, regimes de tributação mínima europeus podem corroer parte dessas economias, adverte o Morgan Stanley.