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A valorização do dólar em maio não convence os estrategistas de Wall Street

A valorização do dólar em maio não convence os estrategistas de Wall Street

A valorização do dólar norte-americano em maio, impulsionada pelas expectativas de uma política monetária mais restritiva por parte da Reserva Federal (Fed), não convenceu os analistas de Wall Street. Os principais bancos norte-americanos acreditam que o rali da moeda está próximo do fim e recomendam cautela antes de seguir a atual tendência de alta.

Desde o início de maio, o Índice Bloomberg Dollar Spot acumulou uma alta de 0,7%. Os investidores aumentaram a exposição aos ativos norte-americanos, precificando uma possível alta de juros pelo Fed no início de 2027. No entanto, para o dólar, que vem apresentando uma tendência global de enfraquecimento desde 2025, esse avanço poderá representar apenas o quarto mês de valorização no período.

Estrategistas do Morgan Stanley e do Wells Fargo afirmam que o foco do mercado cambial está mudando. Em primeiro lugar, diversos bancos centrais ao redor do mundo preparam-se para elevar as taxas de juros de forma mais agressiva do que o Fed. Em segundo lugar, o otimismo em relação a um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã está reduzindo o apelo do dólar como ativo de refúgio. As previsões consensuais já apontam para uma queda de 1% do índice até o terceiro trimestre e de 2% até o final do ano.

O estrategista macroeconômico do Wells Fargo, Eric Nelson, afirmou que o banco não pretende acompanhar o atual rali, observando que o excepcionalismo norte-americano provavelmente atingiu mais um pico, o que deverá impedir o dólar de romper de forma consistente as suas faixas habituais de negociação.

O quadro técnico reforça esse ceticismo. Desde abril — quando Donald Trump anunciou um acordo de paz com o Irã — o índice não consegue sustentar-se acima da sua média móvel de 200 dias. Essa resistência limita os ganhos do dólar há mais de um ano, tendo permanecido relevante mesmo durante a escalada das tensões no Oriente Médio em março.

O principal fator por trás da fraqueza do dólar deverá ser a redução dos diferenciais de taxas de juros. Matthew Hornbach, diretor de estratégia macroeconômica do Morgan Stanley, afirmou que o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ) começarão a aproximar-se do ritmo do Federal Reserve nos próximos meses, criando um ambiente macroeconômico favorável a um dólar mais fraco.

Os mercados de derivativos já precificam apenas 30 pontos-base de aumentos de juros pelo Fed até março de 2027. Em comparação, espera-se que o BCE eleve as taxas em 60 pontos-base, o Banco da Inglaterra em 40 pontos-base e o Banco do Japão, segundo o mercado de swaps, em outros 40 pontos-base até o final deste ano.

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