O aumento dos custos da infraestrutura de IA intensifica as pressões inflacionárias
A inteligência artificial (IA) não está atenuando a inflação nos Estados Unidos. Pelo contrário, está intensificando as pressões sobre os preços. Segundo estimativas do CIBC Capital Markets, o atual boom dos investimentos em IA deverá acrescentar aproximadamente 0,4 ponto percentual à inflação anual em 2026.
Os analistas destacam que os ganhos de produtividade prometidos pela implementação de redes neurais só deverão se materializar no futuro. Enquanto isso, os elevados custos associados à construção da infraestrutura necessária já estão impulsionando a inflação. O forte aumento da demanda por data centers, chips, software, materiais de construção e transporte elevou os custos de equipamentos de informática e dos serviços públicos, especialmente de energia, para níveis muito acima das médias históricas.
Até maio, esses componentes já haviam contribuído com cerca de 0,3 ponto percentual para o Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE) dos Estados Unidos. Os especialistas ressaltam que o recente aumento dos preços ligados à tecnologia ainda não foi plenamente refletido nas estatísticas macroeconômicas oficiais.
Além da elevação direta dos custos dos equipamentos, a IA também está superaquecendo a economia americana como um todo. Espera-se que os investimentos em tecnologia da informação (TI), software e construção de data centers acrescentem mais 0,4 ponto percentual ao crescimento do PIB real em 2026. Além disso, o chamado efeito riqueza, decorrente da valorização das ações de empresas ligadas à IA, deverá adicionar outros 0,2 ponto percentual, estimulando o consumo das famílias. Como resultado, as redes neurais poderão responder por quase 30% do crescimento econômico dos Estados Unidos neste ano.
No entanto, esse ritmo acelerado de expansão também tem pressionado a capacidade produtiva da economia, gerando um quadro clássico de pressão inflacionária. O CIBC estima que a ampliação do hiato do produto (output gap) acrescentará mais 0,13 ponto percentual à inflação anual. No total, as contribuições diretas e indiretas da inteligência artificial para a alta dos preços deverão somar aproximadamente 0,4 ponto percentual, deixando aos formuladores de política econômica uma margem de manobra bastante limitada.