BofA: Zona do euro evita recessão, mesmo sob choque energético
Analistas do BofA Global Research revisaram suas perspectivas para a zona do euro diante da persistente volatilidade nos mercados de commodities. Agora, esperam que a região evite uma recessão técnica neste ano, embora a recuperação da atividade econômica deva permanecer bastante fraca, pressionada pelos elevados preços de energia e pela desaceleração do processo de desinflação.
O banco reduziu sua projeção de crescimento do PIB da zona do euro, estimando uma expansão de apenas 0,6% em 2026. Esse ritmo modesto reflete um choque prolongado no setor energético, que limita o investimento privado e corrói o poder de compra das famílias.
As projeções macroeconômicas atualizadas consideram um período prolongado de preços elevados dos combustíveis fósseis. Os analistas do BofA projetam o petróleo Brent em torno de US$ 100 por barril e os preços do gás natural TTF próximos de €80 por megawatt-hora durante a próxima temporada de inverno.
A revisão reduz as perspectivas de crescimento agregado em 90 pontos-base em relação às estimativas anteriores do banco. O consumo das famílias deve compensar parcialmente esse impacto, à medida que os consumidores reduzem suas taxas de poupança. No entanto, o apoio fiscal discricionário dos governos deve permanecer limitado, em no máximo 0,3% do PIB.
O BofA projeta que a inflação na zona do euro terá média de 3,3% em 2026, antes de desacelerar para cerca de 2,1% posteriormente. Embora a região deva evitar uma recessão formal, a produção industrial deve permanecer abaixo da trajetória pré-crise até o final do quarto trimestre.