Operação dos EUA derruba Maduro e impulsiona mudança na dinâmica do mercado petrolífero
O futuro da Venezuela permanece incerto após uma operação conduzida pelos Estados Unidos no início deste mês que resultou na saída do presidente Nicolás Maduro do poder. Analistas avaliam agora os possíveis impactos desses acontecimentos sobre o mercado de petróleo e os ativos financeiros.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que Washington, em conjunto com grandes companhias de energia americanas, poderia assumir o controle de uma parcela significativa das reservas de petróleo da Venezuela, possivelmente por um período prolongado. Nos últimos dias, autoridades norte-americanas também detiveram dois petroleiros vinculados ao país no Oceano Atlântico — um movimento interpretado pelos mercados como sinal de que a Casa Branca busca controlar os fluxos de petróleo venezuelano.
Trump declarou ainda que a Venezuela teria concordado em exportar até 50 milhões de barris de petróleo para os Estados Unidos, o que poderia implicar a interrupção dos embarques para a China, maior compradora e principal credora do país. Atualmente, cerca de 30% do petróleo venezuelano é fornecido a empresas estatais chinesas no âmbito de programas de pagamento de dívidas.
Desde 2007, a China concedeu à Venezuela empréstimos estimados por analistas em até US$ 60 bilhões, garantidos por entregas futuras de petróleo. Diante dos desdobramentos recentes, empresas chinesas que operam no país passaram a consultar Pequim sobre os próximos passos.
Analistas do Barclays classificaram a saída de Maduro como um gatilho para uma redefinição política e do setor petrolífero venezuelano. Fontes próximas à Casa Branca afirmam que os Estados Unidos poderiam aliviar seletivamente as sanções para permitir o transporte e a venda do petróleo nos mercados globais. Nesse modelo, as receitas obtidas seriam direcionadas a contas sob controle dos EUA e posteriormente liberadas à Venezuela a critério de Washington.
O Barclays estima que, caso as sanções sejam flexibilizadas e a Venezuela obtenha acesso a financiamento multilateral, a economia poderá iniciar um processo de recuperação. Um baixo efeito base cria potencial para crescimento do PIB em dois dígitos, segundo o banco, além de um aumento da produção de petróleo entre 200 mil e 300 mil barris por dia em 2026, a partir do nível atual de aproximadamente 1 milhão de barris diários.
Os analistas ressaltam, contudo, que a sustentabilidade de qualquer recuperação dependerá diretamente da forma e da estabilidade da transição política. Apesar da saída de Maduro, representantes de seu campo socialista permanecem em posições de poder, e a ex-vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o papel de líder interina.
Relatórios indicam que Rodríguez enfrenta pressão para atender às exigências dos Estados Unidos, enquanto a Casa Branca busca garantir estabilidade na Venezuela sem insistir, por ora, em uma transição democrática imediata. O Barclays alerta que os acontecimentos recentes encerram um capítulo da história venezuelana e abrem caminho para uma transição política que os mercados tendem a enxergar de forma positiva, embora o processo permaneça frágil e deva ser longo e complexo.