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Bloqueio do Estreito de Ormuz provoca um déficit histórico e aumenta os embarques de petróleo dos EUA

Bloqueio do Estreito de Ormuz provoca um déficit histórico e aumenta os embarques de petróleo dos EUA

Um conflito militar de três meses com o Irã e o consequente bloqueio quase total do Estreito de Ormuz remodelaram profundamente os fluxos globais de energia. De acordo com a LSEG e a Kpler, a interrupção do tráfego regular por essa artéria vital do comércio mundial provocou uma escassez histórica de matérias-primas e uma disparada sem precedentes nos custos da logística marítima.

Antes da operação militar conduzida pelos Estados Unidos e por Israel no final de fevereiro, cerca de 70 petroleiros atravessavam diariamente o estreito, responsáveis pelo abastecimento de aproximadamente um quinto do consumo global de petróleo, derivados e gás natural liquefeito (GNL). Desde 1º de março, esse número caiu 88%, para menos de sete embarcações por dia, e, em maio, ficou abaixo de seis. Como resultado, as exportações mensais de hidrocarbonetos líquidos do Oriente Médio foram reduzidas pela metade, passando de 75 milhões para 36 milhões de toneladas. O volume total embarcado pela região somou 260 milhões de toneladas nos últimos cinco meses, ante 360 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado.

Parte desse déficit foi compensada por fornecedores do Hemisfério Ocidental. As exportações de petróleo dos Estados Unidos aumentaram 16%, atingindo o recorde de 86 milhões de toneladas, enquanto os embarques combinados da América do Norte e da América do Sul cresceram 28 milhões de toneladas. Ainda assim, outras regiões não conseguiram suprir a lacuna devido às limitações tecnológicas na África e às rígidas sanções impostas ao petróleo russo. Entre janeiro e maio, os embarques globais de petróleo por via marítima recuaram 8%, enquanto o mercado de combustíveis refinados — gasolina, diesel e combustível de aviação — encolheu 8,7%.

A crise logística provocou uma alta sem precedentes nos custos de transporte marítimo. Dados da LSEG mostram que a tarifa spot para o transporte de petróleo em superpetroleiros na rota entre o Oriente Médio e a China saltou de US$ 130.000 para US$ 500.000 por dia no auge dos bombardeios e atualmente está em torno de US$ 390.000. As tarifas de frete para navios-tanque de derivados de petróleo nas principais rotas comerciais também mais do que dobraram.

Os traders estão redirecionando frotas em larga escala para atender os portos norte-americanos, mas os importadores são obrigados a pagar mais pelo transporte, aumentando ainda mais as pressões inflacionárias globais. Analistas do setor alertam que, sem um acordo de paz rápido, a situação poderá se tornar crítica no outono, quando os estoques domésticos de combustível acumulados pelos países começarem a se esgotar.

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