A S&P mantém a classificação soberana dos EUA em AA+ com perspectiva estável
A S&P Global Ratings reafirmou a nota de crédito soberano de longo prazo dos Estados Unidos em AA+, com perspectiva estável. Segundo a Bloomberg, a decisão reflete a elevada resiliência da economia americana e a expectativa de que os déficits orçamentários permaneçam elevados, porém estáveis.
Analistas da agência destacam que a economia dos EUA deverá continuar gerando receitas tributárias robustas, impulsionadas pelo crescimento econômico consistente e pela arrecadação proveniente de tarifas comerciais. Esse cenário tende a contribuir para a estabilização das finanças públicas nos próximos anos, compensando parte dos atuais riscos macroeconômicos.
A S&P projeta que a dívida líquida do governo americano poderá se aproximar de 100% do PIB ao longo do tempo. Entre os principais fatores por trás dessa trajetória estão o aumento dos custos com o serviço da dívida e a elevação dos gastos públicos relacionados ao envelhecimento da população.
Especialistas também chamam a atenção para a forte polarização política em Washington, que dificulta significativamente qualquer esforço bipartidário para reduzir o déficit fiscal. Ainda assim, a agência acredita que o Congresso continuará elevando ou suspendendo o teto da dívida dentro dos prazos necessários, tendo em vista o impacto potencialmente devastador que um eventual calote teria sobre os mercados globais.
A agência de classificação também alertou que a nota soberana dos EUA poderá sofrer pressão nos próximos dois anos caso os legisladores não consigam reduzir gastos ou compensar a queda de receitas decorrente das recentes alterações no código tributário.
Atualmente, as três principais agências globais de classificação de risco mantêm os Estados Unidos na segunda mais alta categoria de crédito, todas com perspectiva estável. Vale lembrar que a própria S&P foi a primeira agência a retirar dos EUA a classificação máxima AAA, em 2011, durante um prolongado impasse político e em meio à deterioração das perspectivas fiscais de longo prazo.