Goldman Sachs: O crescimento da Grã-Bretanha ficou cerca de 6% abaixo do esperado desde o Brexit
A economia do Reino Unido é cerca de 6% menor do que seria uma década após o referendo do Brexit, afirma o Goldman Sachs em uma nota analítica preparada por ocasião do aniversário da votação. Para chegar a essa estimativa, o banco aplicou o método doppelgänger, criando um modelo sintético da economia britânica com base em países comparáveis. Os analistas observam que, antes de 2016, o crescimento do Reino Unido era semelhante ao dos Estados Unidos, mas posteriormente desacelerou para níveis próximos aos da zona do euro. Dependendo do modelo utilizado, a perda de produto é estimada entre 4% e 8%, conclusão corroborada por outros estudos acadêmicos.
O Goldman Sachs identifica três principais canais pelos quais o Brexit exerceu um impacto negativo. Primeiro, os volumes de comércio de bens permanecem entre 10% e 15% abaixo do potencial, o que reduziu a produtividade geral e subtraiu entre 2% e 4% do PIB. Segundo, os investimentos desaceleraram em meio à incerteza empresarial e continuam cerca de 10% abaixo dos níveis observados em países comparáveis, retirando outros 2% do produto. Terceiro, os fluxos migratórios mudaram significativamente: uma entrada anual de mais de 300 mil profissionais da União Europeia transformou-se em saída líquida. Embora a imigração proveniente de países fora da Europa tenha aumentado posteriormente, essa mudança gerou escassez de mão de obra em setores tradicionalmente dependentes de trabalhadores europeus.
Ainda assim, o Goldman Sachs acredita que o pior já ficou para trás e que o declínio do comércio está se estabilizando. Com a mudança no sentimento da população — atualmente, 52% dos britânicos são favoráveis ao retorno à União Europeia —, o governo busca estreitar suas relações com Bruxelas. O banco projeta que o crescimento subjacente do PIB britânico acelere de 1,2% para 1,5% nos próximos anos. Caso Londres consiga redefinir suas relações com a União Europeia e recuperar o acesso ao mercado único ou a uma união aduaneira, o crescimento poderá avançar ainda mais, alcançando 1,7%.