Tóquio injeta recursos recordes no mercado cambial, mas o iene continua sob pressão
O Japão gastou a quantia recorde de US$ 96,4 bilhões (15,4 trilhões de ienes) no último mês para apoiar sua moeda nacional, que despencou para os níveis mais baixos em quatro décadas. De acordo com o Ministério das Finanças japonês, essas intervenções sem precedentes ocorreram de 30 de julho a 26 de agosto, demonstrando a disposição de Tóquio em adotar uma estratégia agressivamente proativa para estabilizar o mercado.
Um fator fundamental nessa campanha foi o apoio de Washington. Em 31 de julho, os dois países realizaram sua primeira intervenção cambial coordenada desde 1998. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e sua homóloga japonesa, Satsuki Katayama, alertaram abertamente os especuladores contra apostar na queda do iene. Para ampliar o impacto psicológico, Bessent permitiu deliberadamente que jornalistas vissem anotações em seu caderno indicando um plano para comprar ienes no valor de US$ 10 bilhões, um montante significativamente superior às intervenções dos EUA em 1998 e 2011. Posteriormente, o ministro americano apoiou publicamente as ações de Tóquio na plataforma de mídia social X.
Apesar de o Japão ter destinado a enorme quantia de 27 trilhões de ienes a intervenções desde o início do ano, a pressão fundamental sobre a moeda persiste. Antes da primeira operação, a taxa de câmbio se aproximava de 164 ienes por dólar. Em 3 de agosto, o iene havia se valorizado para 155,23. No entanto, na noite de sexta-feira, havia recuado mais uma vez para 159,68 por dólar. Analistas da SMBC Nikko Securities observam que, embora a moeda tenha devolvido mais da metade de seus ganhos, as ações coordenadas têm sido notavelmente eficazes. A participação direta dos Estados Unidos sinalizou ao mercado que os recursos financeiros das autoridades são essencialmente ilimitados, levando os operadores a hesitarem em testar o limiar crítico de 160 ienes.